Ontem tive a minha primeira experiência noctívaga em Londres. Noctívaga é como quem diz. Mais para o lusco-fusco, estão a ver a cena?
Resumindo: quando me convidam para uma "thing" e me dizem que vão estar num sítio chamado "The Book Club" a partir das 7 da tarde, eu imaginei, em toda a minha inocência, que era um coffee shop mais para o intelecutalóide, onde pessoas super interessantes iam insultar o último livro do Philip Roth e tecer comentários tão elucidativos como "a única tradução que leio do 'Inferno' de Dante é a que foi publicada em 1963, que comprei no alfarrabista que fechou por ordem da PIDE". Ou qualquer coisa do género.
Mas não...
Para minha grande surpresa, "The Book Club" às oito da noite tem mais semelhanças com o Bairro Alto às duas da manhã do que com qualquer pseudo cool fnac de bairro.
Ou seja. Os únicos livros que vi serviam para sustentar as colunas de som. Que era alto. Muito alto. A música aliás não convidava muito a comentários esotéricos sobre a comparação do estilo de Saramago e David Foster Wallace (que posso já dizer acho que podiam ser pai e filho) mas sim a um roça roça apenas suportável bêbado. Que eu não estava. Sean Paul e coisas assim.
Não havia comida. Ou melhor havia o género da tosta mista no Lux às 5 da manhã. E eram 9 da noite quando as vi passar por mim. E ter que carimbar o pulso para poder sair e ir fumar um cigarro às 10 para as 9 da noite é muito estranho para uma Lisboeta.
Very strange indeed...
Mas, all things considered, adorei. Não bebi, o que é uma nova decisão (eles bebem muito e muito depressa e acabo sempre pifa em meia hora, o que é altamente deprimente...), fui para casa a horas decentes. E sobretudo conheci pessoas super divertidas, interessantes, e com quem gostaria imenso de discutir estilos literários. Mas não no Book Club!
:))) ai se eles soubessem que às 9 da noite ainda não se janta por estas bandas... por isso é que qd cá vêm estão sp pifos a qq hora do dia lol
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